Sei que o mundo é muito maior do que eu, por isso, caminho grande para alcançar seu íntimo. E, embora ciente de que a mim só chegam pedaços da sua imensidão, tenho buscado transformá-los no palco onde eu, inteira, ofereço quem eu sou: cabeça, braço, perna, bunda, buceta, seios, palavras, imagens, poemas, pensamentos, questões, delírios, negações, afirmações, gritos, exageros, defeitos, qualidades, pedidos, milagres. Ufa, sou intensa. Nada escondo, tudo mostro, tudo revelo.
Exijo-me ser plena no ato de existir, mesmo tendo a noção de que a totalidade que eu toco são recortes de mundo, fragmentos do gigante lugar onde vivemos. Mas, com um pouco de chuva aqui, um tanto de areia ali, sigo construindo castelos no meio da multidão; coloco amor como liga em cada um deles e os enfeito com luzes. Sonho, desejo, cruzo os dedos, chamo o sol, convido o bom tempo, respiro e peço a Deus que a construção não desmorone. Meu Pai, me ajude neste mundo tão cheio de caminhos!
19 de julho de 2010
17 de julho de 2010
11 de julho de 2010
10 de julho de 2010
Breve relato do hoje
Difícil saber o que falar, quando as sensações se embaralham na cauda da novidade e nos deixam como adivinhadores do que está acontecendo no mundo do outro. Esta é a frase que descreve como estou agora, mas, para não ficar na imprecisão das emoções, comunico, também, que hoje carreguei sacolas de uma casa para outra, lavei o cabelo, quase perdi a voz, comprei bolo de chocolate e preparei o café, dando-me conta do quanto eu quero ajustar o pensamento que insiste em mostrar-se inquieto.
6 de julho de 2010
4 de julho de 2010
Pedido
Que o grito não contamine a noite,
o sorriso fique intacto,
e a intimidade supere a palavra.
Vou dormir.
o sorriso fique intacto,
e a intimidade supere a palavra.
Vou dormir.
30 de junho de 2010
Sou gente
Ando prestando atenção nas cores de junho, digerindo incertezas, apurando o escândalo, fazendo releituras: sou gente, nada me diz o contrário.
Pego-me botando tempero na panela, recheando verdura, limpando pia, lavando louça.
Uma delícia descascar aquela abóbora, hoje! Sentir nela a terra que lhe deixa ser. Apanhar sua textura como se habitada de mim, ela, tão saborosa que é, estivesse.
De mãos dadas com a memória, dou-me ao rasgo do vazio que não me soluciona, brinco de esquecer que sofri, domestifico meu instinto, ressurjo fêmea e não escapo do que isso significa.
Sigo na direção do meu profundo. Procuro implodir todos os estabelecimentos duvidosos que me habitam, para existir expansivamente e não restringir a felicidade.
Sei que carrego olhos sem muralhas, e minha fervura esnoba as convenções.
Caminho sem regras pela casa, vago entre páginas de um livro e não me rendo ao pensamento sobre o futuro. Só peço a Deus que este me seja dado sem muita bagunça.
Interessa-me apenas conduzir-me ao melhor de mim, deixar de lado as dores sem razão, abondanar o preço que não preciso pagar para ser quem sou e, elegantemente, esbofetear a cara do desperdício.
Sou gente e nada me diz o contrário.
Pego-me botando tempero na panela, recheando verdura, limpando pia, lavando louça.
Uma delícia descascar aquela abóbora, hoje! Sentir nela a terra que lhe deixa ser. Apanhar sua textura como se habitada de mim, ela, tão saborosa que é, estivesse.
De mãos dadas com a memória, dou-me ao rasgo do vazio que não me soluciona, brinco de esquecer que sofri, domestifico meu instinto, ressurjo fêmea e não escapo do que isso significa.
Sigo na direção do meu profundo. Procuro implodir todos os estabelecimentos duvidosos que me habitam, para existir expansivamente e não restringir a felicidade.
Sei que carrego olhos sem muralhas, e minha fervura esnoba as convenções.
Caminho sem regras pela casa, vago entre páginas de um livro e não me rendo ao pensamento sobre o futuro. Só peço a Deus que este me seja dado sem muita bagunça.
Interessa-me apenas conduzir-me ao melhor de mim, deixar de lado as dores sem razão, abondanar o preço que não preciso pagar para ser quem sou e, elegantemente, esbofetear a cara do desperdício.
Sou gente e nada me diz o contrário.
29 de junho de 2010
17 de junho de 2010
Continuidade
Sinais bonitos na cama e a bagunça do edredom com o lençol merece ser prolongada. Ah, tem hora que a vida pede reticências.
Lição
Ontem, estendendo panos de chão, tive dúvida quanto ao modo que deveriam ser distribuídos no varal: se dividindo o mesmo pegador, ou tendo cada um os seus. Escolhi uma das possibilidades e aprendi que o "não sei" também impulsiona decisões. Disse isso para o meu amor. Ele? Trouxe-me vários argumentos sobre a certeza.
14 de junho de 2010
Notícias
Assuntos da alma me chegam sob um toque de espera e se instalam no reduto interno que tudo capta, para, mais tarde, virarem palavra sobre superfície desconhecida; bem assim como se faz a vida, após tomarmos uma xícara de café, enquanto a manhã se espalha. Afinal, nem sempre sabemos como vamos ficar dali em diante, como será a continuidade do dia, como vai ser o atravessar daquela rua, mesmo sendo aquela rua a mesma rua de sempre; o que vai dizer o rosto do motorista de ônibus ou que gosto vai ter o beijo dado na nuca do amor.
É isso: um bom número de possibilidades em minha frente e eu à mercê do doutorado. Vejo-me recheada de sensações, mas pouco tenho escrito nesta ancoragem delicada onde gosto de estar. Nos últimos tempos, durmo e acordo sabendo que sou gente dada à feitura de um texto, que daqui a algumas semanas será apresentado para um time de professores. Eles hão de me dizer se minha pesquisa está no rumo certo, ou requer uma mudança de rota. Mas, estou bem sendo esta pessoa que, dedicada à leitura científica, se faz em mais uma versão de si. É bom se experimentar.
É isso: um bom número de possibilidades em minha frente e eu à mercê do doutorado. Vejo-me recheada de sensações, mas pouco tenho escrito nesta ancoragem delicada onde gosto de estar. Nos últimos tempos, durmo e acordo sabendo que sou gente dada à feitura de um texto, que daqui a algumas semanas será apresentado para um time de professores. Eles hão de me dizer se minha pesquisa está no rumo certo, ou requer uma mudança de rota. Mas, estou bem sendo esta pessoa que, dedicada à leitura científica, se faz em mais uma versão de si. É bom se experimentar.
2 de junho de 2010
Combinação
Cheiro,
toque,
vontade,
beijo,
assédio,
fome,
livro esquecido,
horário abandonado
desrespeito,
riso,
fogueira;
tudo pode,
quando a seta
se anuncia.
toque,
vontade,
beijo,
assédio,
fome,
livro esquecido,
horário abandonado
desrespeito,
riso,
fogueira;
tudo pode,
quando a seta
se anuncia.
31 de maio de 2010
Escrito para o dia 27 de maio
Meu coração, recheado de alegria d'alma, quer se juntar ao seu, hoje, para comemorarmos meus 33 anos de vida. Então, que tal um beijo, um aperto, um beliscão, rs... uma piscada de olho, um abraço forte em mim para celebrarmos o dia 27 de maio? Sim, estou tão bem: tenho novas sedes, tenho sedes antigas - sedes velhas saciadas, sedes velhas ampliadas - carrego ideias desconexas, ideias sem sentido, outras, com. Há fomes aquietadas, fomes começadas, sonhos sabidos, outros, desconhecidos. Estou viva! E é tão bom me ver crescendo, acreditando, indo para algum lugar, saindo de outro, pegando um bonde aqui, outro, acolá. Sim, é saudável cruzar o caminho da maturidade. Andei por muitas estradas e consegui ser mais do que eu já fui. Coloquei páginas bonitas na minha vida e me permiti me descamar a cada dia amanhecido, ao longo dos meus 32 anos, durante os quais me propus a aprender as seguintes coisas: fazer escolhas sem dor, não sofrer pelo não vivido, exercitar minha autonomia e respeitar meus limites. Caminhei, caminhei e posso dizer que estes são aprendizados não muito imediatos, de modo que é chegada a hora de me despedir da antiga idade, chamar para perto de mim os 33, tão gloriosos por ser a dita idade de Cristo, levar adiante os aprendizados que me apresentei ainda nos 32, chamar outros novos para me darem a mão, e fluir, fluir muito para não deixar de aproveitar cada pedacinho de tempo que disponho para ser. Que venha a inédita idade com os sabores que meu espírito precisa para ir mais profundo na atitude de experimentar o mundo, e aqui semear amor, carinho, solidariedade, entrega.
27 de maio de 2010
Hoje é meu aniversário
Muitas emoções me povoam. Deixo com vocês as lindas palavras que uma amiga-pessoa incrível me escreveu em seu blog, cujo endereço é http://www.verapassos.blogspot.com/ Amei cada letrinha saída do coração criativamente iluminado que ela tem.
23 de maio de 2010
Milimétrica
As ideias se contorcem atrás do móvel onde a poeira se faz firme esperando alguém que a retire dali. Empresto minhas mãos para a limpeza daquilo que encobre o que nasce para ser visto. A poeira se desfaz. Vibro com isso. Estou atenta ao lugar que minhas ideias têm insistido em escolher para se afugentarem. Afinal, não quero o vazio, não desejo a sensação de que nenhum novo pensamento tive, enquanto o mundo girou, nenhum novo desenho fiz ou pelo menos um sentimento não se chegou. Arremesso incertezas em minhas próprias costas e não deixo de querer funcionar, a partir do que eu acredito. A vida não se resume ao fim do mês, quando o salário entra na conta bancária. A vida não se resume àquela discussão sem pé nem cabeça que você teve antes de sair de casa. A vida é mesmo muito curta, milimétrica e se faz no miudinho do dia a dia, e eu não posso me esquecer disso.
11 de maio de 2010
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