O gosto de céu com
nítidas estrelas e lua pungente ainda povoa o meu hálito. Hoje, não quero nem
beber e nem comer nada. Que permaneça em mim todo o sentir que a noite
genuinamente iluminada me deu.
26 de outubro de 2012
23 de outubro de 2012
Bonita forma de possuir algo
Dona Myrian, proprietária do apartamento onde morei em Strasbourg, me
escreve contando: "alugamos TEU apartamento para uma estudante
grega". Eu, que não disponho de casa própria, estou de passagem
improvisada na residência da minha família e tenho minha geladeira, meus
livros, minha cama etc. encaixotados dentro de um galpão, recebo este "teu
apartamento" com uma alegria tão profunda... Este é o tipo de posse mais
bonito que se pode acessar: algo é meu porque nele eu vivi e nele me inscrevi,
e não porque eu o comprei. E, antes de decidirem novamente pelo aluguel do
imóvel, Dona Myrian e seu marido me consultaram para saber se eu não voltaria a
morar em Strasbourg, pois, se sim, eles guardariam o "meu
apartamento" para mim. Eu me alegro muito em ver como naquela cidade tudo
transcorreu como o desenrolar tranquilo de um novelo de lã.
7 de outubro de 2012
Lembrete
Gente querida,
Daqui a algumas horas em todo o território brasileiro as seções eleitorais serão abertas aos votantes e é indispensável termos em mente que se, hoje, um homem ou uma mulher pode apanhar a chave de uma escola pública para receber os eleitores é porque há alguns poucos anos muitos outros homens e muitas outras mulheres deram a vida contra a ditadura. O "simples" gesto de mover a fechadura de um espaço, liberando-o aos eleitores é uma realidade conquistada a duras penas e eu torço enormemente para que as aberturas, que estão nos levando à maturidade democrática, se aprofundem. Desejo que nosso processo eleitoral não seja modelo porque dispõe de urna eletrônica e tecnicamente é exemplo para outros países, mas que seja referência em virtude da realização de uma virada histórica, que conta com a escolha de representantes realmente comprometidos com a justiça social. E lembremos: participação política não se restringe ao voto, ela é uma experiência cotidiana.
6 de outubro de 2012
Antecipação do resultado
Dois dos tradicionais colégios de Feira de Santana são a prova de que na difícil luta do idealismo contra o capital este, infelizmente, quase sempre sai vencedor. O Nobre e o Anísio Teixeira começaram sua história, tendo no comando pessoas comprometidas com a produção saudável e libertária do conhecimento. Luciano Ribeiro, no primeiro caso, e Ana Angélia e professor Jerônimo, no segundo. Atualmente, as duas escolas são administradas por verdadeiros comerciantes da educação e Luciano, Ana Angélica e Jerônimo saíram de cena.
Considero emblemática esta cessão do horizonte essencial do saber às cifras que correm nas mãos dos atuais diretores dos citados estabelecimentos educacionais, pois revela como a cidade, que emergiu de uma feira, tem mesmo forte vocação para o comércio. Estudei no Anísio e tive a sorte de ter sido aluna de filosofia do professor Jerônimo, cujas aulas não esqueço. Contato menor eu tive com Ana Angélica e jamais interagi com Luciano Ribeiro.
Deste o pouco que eu sei foi construído a partir de uma escuta nada estruturada das falas da minha família sobre sua história de oposição à ditadura, e que é também a de Chico Pinto, e, se alguém é contra o horror do autoritarismo e a castradora repressão, eu gosto imediatamente. Mas Luciano, que na barganha da defesa dos valores da educação, perdeu para o magnata do colégio Nobre, nas atuais eleições municipais se rendeu ao lado que lhe perseguiu, tornando-se candidato a vice-prefeito na coligação que nunca virou a página do coronelismo.
Além da desesperança que representa a associação de Luciano a Zé Ronado, a disputa para o executivo e o legislativo municipal traz mais uma perda e esta para ser compreendida requer outra retrospectiva.
Cresci na cidade de Feira de Santana de onde saí aos 17 anos. Sem praticamente nada entender acerca da prática política, no começo da adolescência eu nutria uma grande admiração pelo prefeito Colbert Martins da Silva. Ele era do PMDB, usava cadeira de rodas, tinha ideias inovadoras e representava uma força popular fascinante. Lembro de Feira ter sido notícia nacional num tempo em que isso ainda era visto como uma grande coisa, pois os projetos de Colbert o colocavam numa condição de um homem público arrojado e com ideias de cunho estruturante para a cidade, ou melhor, para o Estado, e isso foi motivo de reportagem de grande alcance.
Infelizmente, Colbert, ao contrário do sábio Lula, não fez escola, ou seja, não deixou discípulos que continuassem sua atuação comprometida com o coletivo. É bem verdade que um dos seus filhos ingressou na carreira política e veio a ser deputado federal e também candidato a prefeito em Feira, mas não se elegeu. Por carregar o gene de um humanista e ter atuado de forma honesta no parlamento, transitou positivamente ao lado de referências como o intelectual Ildes Ferreira, o ex-padre Albertino Carneiro, minha avó Linézia Carneiro, o pensador Elói Barreto, os ativistas Nedson e Chica, do MOC, e os já citados Luciano Ribeiro e professor Jerônimo na galeria dos que, em Feira de Santana, colocam a justiça como um valor orientador e sabem que pobreza e exclusão não são dados naturais, mas frutos de uma desigualdade social historicamente construída, que, na Bahia, teve a forte contribuição do Carlismo.
Nestas eleições municipais, assim como Luciano Ribeiro, Colbert Filho, ou melhor, Colberzinho, como é conhecido, se aliou a Zé Ronaldo, ex-prefeito da cidade e integrante do partido Democratas, antigo PFL. O educador e o filho do prefeito mais respeitado da história de Feira de Santana tornaram-se cúmplices de um homem, cujo talento para a ditadura se equipara ao de Saddam Hussein e este encontro sinaliza a ruptura de Colberzinho com a forte simbologia do seu pai e a desistência de Luciano de emprestar seu nome à mesma fragrância que exala do respeitado nome José Jerônimo de Moraes, professor emérito da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), e que há muito tempo me ensinou a ver filosoficamente Deus e o amor.
Não sei, hoje, claro (ops, não é tão claro assim, pois em terra onde voto é mercadoria, eleições podem ser compradas), o resultado da disputa eleitoral que vai acontecer amanhã para prefeito e vereador. Mas, independente do veredito, tenho certeza que a maior derrota já aconteceu. Os perdedores do pleito de 2012 na cidade de Feira de Santana são a coerência, a memória de Colbert Martins da Silva e o time dos dignos, na medida em que Colberzinho e Luciano cometeram a estupidez de aderirem ao elitismo, que é sinônimo de nepotismo e maltrato às classes populares.
Considero emblemática esta cessão do horizonte essencial do saber às cifras que correm nas mãos dos atuais diretores dos citados estabelecimentos educacionais, pois revela como a cidade, que emergiu de uma feira, tem mesmo forte vocação para o comércio. Estudei no Anísio e tive a sorte de ter sido aluna de filosofia do professor Jerônimo, cujas aulas não esqueço. Contato menor eu tive com Ana Angélica e jamais interagi com Luciano Ribeiro.
Deste o pouco que eu sei foi construído a partir de uma escuta nada estruturada das falas da minha família sobre sua história de oposição à ditadura, e que é também a de Chico Pinto, e, se alguém é contra o horror do autoritarismo e a castradora repressão, eu gosto imediatamente. Mas Luciano, que na barganha da defesa dos valores da educação, perdeu para o magnata do colégio Nobre, nas atuais eleições municipais se rendeu ao lado que lhe perseguiu, tornando-se candidato a vice-prefeito na coligação que nunca virou a página do coronelismo.
Além da desesperança que representa a associação de Luciano a Zé Ronado, a disputa para o executivo e o legislativo municipal traz mais uma perda e esta para ser compreendida requer outra retrospectiva.
Cresci na cidade de Feira de Santana de onde saí aos 17 anos. Sem praticamente nada entender acerca da prática política, no começo da adolescência eu nutria uma grande admiração pelo prefeito Colbert Martins da Silva. Ele era do PMDB, usava cadeira de rodas, tinha ideias inovadoras e representava uma força popular fascinante. Lembro de Feira ter sido notícia nacional num tempo em que isso ainda era visto como uma grande coisa, pois os projetos de Colbert o colocavam numa condição de um homem público arrojado e com ideias de cunho estruturante para a cidade, ou melhor, para o Estado, e isso foi motivo de reportagem de grande alcance.
Infelizmente, Colbert, ao contrário do sábio Lula, não fez escola, ou seja, não deixou discípulos que continuassem sua atuação comprometida com o coletivo. É bem verdade que um dos seus filhos ingressou na carreira política e veio a ser deputado federal e também candidato a prefeito em Feira, mas não se elegeu. Por carregar o gene de um humanista e ter atuado de forma honesta no parlamento, transitou positivamente ao lado de referências como o intelectual Ildes Ferreira, o ex-padre Albertino Carneiro, minha avó Linézia Carneiro, o pensador Elói Barreto, os ativistas Nedson e Chica, do MOC, e os já citados Luciano Ribeiro e professor Jerônimo na galeria dos que, em Feira de Santana, colocam a justiça como um valor orientador e sabem que pobreza e exclusão não são dados naturais, mas frutos de uma desigualdade social historicamente construída, que, na Bahia, teve a forte contribuição do Carlismo.
Nestas eleições municipais, assim como Luciano Ribeiro, Colbert Filho, ou melhor, Colberzinho, como é conhecido, se aliou a Zé Ronaldo, ex-prefeito da cidade e integrante do partido Democratas, antigo PFL. O educador e o filho do prefeito mais respeitado da história de Feira de Santana tornaram-se cúmplices de um homem, cujo talento para a ditadura se equipara ao de Saddam Hussein e este encontro sinaliza a ruptura de Colberzinho com a forte simbologia do seu pai e a desistência de Luciano de emprestar seu nome à mesma fragrância que exala do respeitado nome José Jerônimo de Moraes, professor emérito da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), e que há muito tempo me ensinou a ver filosoficamente Deus e o amor.
Não sei, hoje, claro (ops, não é tão claro assim, pois em terra onde voto é mercadoria, eleições podem ser compradas), o resultado da disputa eleitoral que vai acontecer amanhã para prefeito e vereador. Mas, independente do veredito, tenho certeza que a maior derrota já aconteceu. Os perdedores do pleito de 2012 na cidade de Feira de Santana são a coerência, a memória de Colbert Martins da Silva e o time dos dignos, na medida em que Colberzinho e Luciano cometeram a estupidez de aderirem ao elitismo, que é sinônimo de nepotismo e maltrato às classes populares.
Tétrica cidade
O município de Feira de Santana é desprovido de espaços e eventos aprazíveis, sejam eles ofertados pela geografia, sejam eles providenciados pelo
poder público ou por um grupo. É verdade que há cidades, onde a natureza se fez
bela e/ou a efervescência artística emergiu, de modo que contam
"naturalmente" com fontes que servem como um poderoso contraponto aos
desmandos todos que acontecem em sua cercania; um rio limpo e vigoroso, por exemplo,
representa um canal de respiro a uma realidade penosa. A transcendência pode ser também acessada num espaço cultural que disponibiliza uma vasta e criativa programação.
Feira, a meu ver, não foi agraciada nem com estas e nem com outra modalidade qualquer que seja de zona de escape, afinal, não dispõe de uma montanha energizante, um parque
público agradável para caminhar ou algum endereço parecido. A cidade não é nem um pouco bonita e sua feiura advém do fato de sua estrutura estar calcada, sobretudo, no comércio, de modo que é excessivamente povoada pelos seus
signos, leia-se: placas luminosas estupidamente grandes, infinidade de grades
de proteção contra roubo, poucas árvores (quero deixar dito que vejo
beleza, poder e sapiência em muitas cidades do interior, mas Feira não está
entre elas). E este lugar, que já é tradicionalmente desprovido de beleza natural e urbana, ficou ainda pior com as eleições municipais.
A cidade de Feira de Santana alcançou o impossível: conseguiu se enfeiar ainda mais durante o período eleitoral. O ego do ex-prefeito e sua sede de poder alcançaram a sordidez e produziram uma baixeza temerosa, por outro lado, as promessas do atual beiraram o ridículo, pois são irrealizáveis. Ele reproduz pateticamente a oferta de promessas sedutoras e sem nenhuma, absolutamente nenhuma chance de virarem realidade. MUITO, MUITO NOJO DAS DUAS CONDUTAS!
A princesinha do Agreste ficou tétrica ao vivenciar uma disputa danificada. Desenrolou-se um processo eleitoral muito rasteiro, com armações audiovisuais inaceitáveis. O ex-prefeito contratou alguém para imitar a voz do candidato do PT e simular negociações escusas. Não satisfeito em mostrar uma armação extremamente tosca no rádio e na televisão, reproduziu incontáveis CDs com a tal mentirosa gravação e, numa dada noite, jogou de três a quatro unidades nas casas das pessoas. Algo horrível! Deprimente! Que arremessa a ética no lixo com tanta veemência, que arranha nossa fé na política e rouba muito do nosso fôlego.
A princesinha do Agreste ficou tétrica ao vivenciar uma disputa danificada. Desenrolou-se um processo eleitoral muito rasteiro, com armações audiovisuais inaceitáveis. O ex-prefeito contratou alguém para imitar a voz do candidato do PT e simular negociações escusas. Não satisfeito em mostrar uma armação extremamente tosca no rádio e na televisão, reproduziu incontáveis CDs com a tal mentirosa gravação e, numa dada noite, jogou de três a quatro unidades nas casas das pessoas. Algo horrível! Deprimente! Que arremessa a ética no lixo com tanta veemência, que arranha nossa fé na política e rouba muito do nosso fôlego.
Estas desrespeitosas estratégias são tão ultrajantes, que o dantesco horário
eleitoral com candidatos, que optam por performances altamente jocosas, se tornou café
bem, bem pequeno frente à baixeza do ex-prefeito e do prefeito atual.
3 de outubro de 2012
Novidade
Estou subtraída da vida que corre lá fora e do lado de cá um mesmo sempre movimento me conduz à feitura inadiável de uma tese de doutorado.
A este desafio, que se prontifica todos os dias diante de mim, eu entrego minha totalidade com a ressalva de que a doação integral da minha energia não me custe a rachadura do umbigo e nem a inflamação da garganta, pois, embora seja muito gratificante ficar mais sabida, eu preciso continuar com minha saúde intacta, claro.
Ok, está tudo bem comigo, mas ainda assim não abro mão de fazer perguntas desorientadoras sobre as tramas e os caminhos. Afinal, imitando o homem que emergiu do barro, vim eu da elegante curva que questiona o estabelecido. Não tem pra onde correr: sou oriunda da matéria interrogação.
E se, desde que me transformei numa serva da leitura e da escrita científicas continuo fiel às perguntas existenciais, por outro lado, no quesito sono, me perdi completamente e, um dia, durmo demais, noutro, de menos.
As horas disponíveis para o trabalho se movem agora de um jeito esquisito, mas infinitamente menos extraordinário do que a feitura do diário de uma viagem de não ida à Grécia, para onde partiu meu namorado.
Em suas páginas tenho desaguado o não-vivido e isso, contraditoriamente, tem sido o viver mais novo ao qual estou tendo direito. Hoje, por exemplo, vi o mar mediterrâneo exatamente porque meu amado me mostrou.
Que bom que a arte de amar envolve presentes que não são vendidos em loja e estão por aí esperando os presenteadores e os receptores, e que bom que pela manhã fui eu a receptora e meu amor o presenteador de uma magnífica paisagem que dorme e acorda na Ilha de Santorini.
Minha quarta-feira ficou tão mais viva com este regalo...
A este desafio, que se prontifica todos os dias diante de mim, eu entrego minha totalidade com a ressalva de que a doação integral da minha energia não me custe a rachadura do umbigo e nem a inflamação da garganta, pois, embora seja muito gratificante ficar mais sabida, eu preciso continuar com minha saúde intacta, claro.
Ok, está tudo bem comigo, mas ainda assim não abro mão de fazer perguntas desorientadoras sobre as tramas e os caminhos. Afinal, imitando o homem que emergiu do barro, vim eu da elegante curva que questiona o estabelecido. Não tem pra onde correr: sou oriunda da matéria interrogação.
E se, desde que me transformei numa serva da leitura e da escrita científicas continuo fiel às perguntas existenciais, por outro lado, no quesito sono, me perdi completamente e, um dia, durmo demais, noutro, de menos.
As horas disponíveis para o trabalho se movem agora de um jeito esquisito, mas infinitamente menos extraordinário do que a feitura do diário de uma viagem de não ida à Grécia, para onde partiu meu namorado.
Em suas páginas tenho desaguado o não-vivido e isso, contraditoriamente, tem sido o viver mais novo ao qual estou tendo direito. Hoje, por exemplo, vi o mar mediterrâneo exatamente porque meu amado me mostrou.
Que bom que a arte de amar envolve presentes que não são vendidos em loja e estão por aí esperando os presenteadores e os receptores, e que bom que pela manhã fui eu a receptora e meu amor o presenteador de uma magnífica paisagem que dorme e acorda na Ilha de Santorini.
Minha quarta-feira ficou tão mais viva com este regalo...
Continuidade
Na mão direita carrego todos os sonhos que me habitam e na esquerda tudo que eu preciso fazer para que aquilo que eu desejo se transforme em realidade. Gosto de carregar profundidades.
7 de agosto de 2012
Dedicada aos afazeres
Em 07 de agosto de 2012,
eu humanizei urbanidades,
desacordei os pés,
reafirmei os sonhos,
reli a gramática da coragem.
revi ideias,
realinhei projetos,
cumprimentei impulsos e
desocultei medos.
Em 07 de agosto de 2012,
tive saudade das árvores da "Casa do Fim do Mundo",
imaginei uma charrete francesa como cenário,
comprei livros de Karl Marx, Engels e Leonardo Boff,
confundi anfíbios com répteis,
fiscalizei o percurso de uma carta
e à necessária travessia eu acrescentei um pouco mais de conteúdo.
Em 07 de agosto de 2012,
eu enviei o canto dos pássaros para meu amor,
recebi poesia como resposta e soube
que suas mãos, construtoras de ninhos humanos,
devolveram vida a um lago.
Dispus eu, então, de recado saudável
para transmitir à natureza.
Em 07 de agosto de 2012,
eu muito fiz, mas não senti cansaço.
Eu apenas toquei a minha interminável vastidão.
eu humanizei urbanidades,
desacordei os pés,
reafirmei os sonhos,
reli a gramática da coragem.
revi ideias,
realinhei projetos,
cumprimentei impulsos e
desocultei medos.
Em 07 de agosto de 2012,
tive saudade das árvores da "Casa do Fim do Mundo",
imaginei uma charrete francesa como cenário,
comprei livros de Karl Marx, Engels e Leonardo Boff,
confundi anfíbios com répteis,
fiscalizei o percurso de uma carta
e à necessária travessia eu acrescentei um pouco mais de conteúdo.
Em 07 de agosto de 2012,
eu enviei o canto dos pássaros para meu amor,
recebi poesia como resposta e soube
que suas mãos, construtoras de ninhos humanos,
devolveram vida a um lago.
Dispus eu, então, de recado saudável
para transmitir à natureza.
Em 07 de agosto de 2012,
eu muito fiz, mas não senti cansaço.
Eu apenas toquei a minha interminável vastidão.
Trem Das Cores
Quando eu olho para ele, sempre vem em mim alguma coisa sobre passos dados e lugares alcançados. É que eu gosto de saber que saiu de Santo Amaro, ganhou o mundo e, a seu modo, sabe estar conectado com seu universo originário, seja cantando em frente à Igreja da cidade, seja participando do Cortejo de Reis no comecinho do mês de janeiro. "Trem das cores", uma das suas lindas composições, tem o poder de me levar para locais de onde eu custo voltar, mas sempre gosto de ir.
24 de julho de 2012
Tempo transcorrido e lugar alcançado
Ela adentrou satisfatoriamente os 60 anos de vida. Ele, após 60 anos de trabalho dedicados a um mesmo hospital, se aposentou. Corre ele para o encontro com a pintura, o desenho e o canto. Conquistou ela, que jamais teve emprego, aquilo que a atriz da Rede Globo, ex-mulher de um jornalista famoso e apresentador de um Reality Show, deseja aos 45: marido e três filhos que lhes deem amor. Eu, que tenho 35 anos, não penso nos 60, jamais atuei num hospital, fui dançarina, não atriz, sou intensa e tenho tendência para o arremesso no mundo, sei: quero construir minha própria família.
23 de julho de 2012
Em três dias
Minhas várias versões conversam numa língua que eu não domino o código, por isso, preciso de muito empenho para compreender o que dizem e descobrir quem manda em quem.
E mais:
Viagem curta, longas distâncias, duas cidades, meus não-saberes, beiju bem torrado, café e uma boa prosa com ela que tem 94 anos vividos na roça.
Abraços numerosos, despetrificar da noite pelos faróis, fogão ineficiente, desengonçado manuseio de uma resposta, fotografias e enormes panelas definindo os rumos a serem tomados nas avenidas da cidade.
O peso do doce, muito feijão, vestido sem alça, salto, samba, a promessa de um presente, descaracterizados afetos anteriores, antecedências e o revisitar não entusiasmante de uma rua.
Aniversários sacudindo o espírito, presentes para o mar, filas de carro, amigos, saudade do amor, escritura ampliada, necessários atendimentos, sensações de desencaixe e uma mulher querida em decadência.
Uma partida não sentida, olhos que pescam costuras, o jeito artesanal de contar o tempo, espantos e uma nova metáfora a partir da compra do exemplar de um jornal no sábado à noite.
E o melhor: tudo isso eu tomo como impulso para acionar reconduções.
E mais:
Viagem curta, longas distâncias, duas cidades, meus não-saberes, beiju bem torrado, café e uma boa prosa com ela que tem 94 anos vividos na roça.
Abraços numerosos, despetrificar da noite pelos faróis, fogão ineficiente, desengonçado manuseio de uma resposta, fotografias e enormes panelas definindo os rumos a serem tomados nas avenidas da cidade.
O peso do doce, muito feijão, vestido sem alça, salto, samba, a promessa de um presente, descaracterizados afetos anteriores, antecedências e o revisitar não entusiasmante de uma rua.
Aniversários sacudindo o espírito, presentes para o mar, filas de carro, amigos, saudade do amor, escritura ampliada, necessários atendimentos, sensações de desencaixe e uma mulher querida em decadência.
Uma partida não sentida, olhos que pescam costuras, o jeito artesanal de contar o tempo, espantos e uma nova metáfora a partir da compra do exemplar de um jornal no sábado à noite.
E o melhor: tudo isso eu tomo como impulso para acionar reconduções.
29 de junho de 2012
Nas águas dos aprenderes
Tenho gostado de entregar tempo integral à leitura, de doar a cabeça ao que se descortina a partir de cada página lida e de ver os dias entrarem e saírem, como se o sol existisse apenas para negar a noite, mas não para que eu o usufrua, por exemplo, palmilhando descalça o parque florido. É chegado o tempo de atravessar o vasto rio; procuro seguir seu curso, paciente com meu ritmo, perseverante no que vem por aí e, ontem, calibrei a autoconfiança para que fortalecida eu me mantenha. Nas águas novas por onde meu barco passa há aprenderes espalhados pelas correntezas. Recolho-os e vou aprendendo o que significa carregar novidades não partilhadas, o que é ter um caminhão de fotografias percorrendo a memória sem hora prevista para virar álbum; estou aprendendo o que devo fazer para me apropriar da minha atual identidade: mulher sem salário, na casa da família, bagunçando a ponta da sala de visitas, depois de ter voado para terras distantes e ter trazido uma alma exageradamente nutrida das riquezas colhidas do outro lado do Oceano. E o mais importante: estou aprendendo a sentir prazer em minha entrega absoluta ao fazer-a-tese, já que este fazer mais do que fruto das minhas reflexões é a semente do meu próximo voo. É tão gratificante nos render à preparação do belo que virá!
26 de junho de 2012
Que bom que Gil existe
É uma alegria imensa contar com Gil para decifrar as emoções de quem, um dia, sai da Bahia e vai para outras paragens, como eu fiz e voltarei a fazer, sendo este Senhor Gil uma das partes mais lindas da nossa terra Brasilis, aquela parte que nos enche de orgulho, por exemplo, quando nossa voz ecoa brasileiramente estrangeira numa roda em terras francesas, e os da casa, para mostrarem um certo conhecimento do Brasil, o citam como uma referência musical bonita e vigorosa. Eu vivi isso em Strasbourg, e digo: é uma DELÍCIA! E claro que eu fiz questão de agregar para os de lá o informe de ter sido Gil um ousado ministro da Cultura. Salve Gilberto Gil, salve sua caminhada de luz, salve sua genialidade. Todos os meus mais doces e admirados cumprimentos para este homem que chega aos 70 anos, sabendo-se metade ente, metade gente. O mundo fica muito mais artístico com sua passagem por aqui, Gil, e eu peço para que as forças do bem e a inspiração sigam em permanente contato com seu ser.
24 de junho de 2012
O agora
Asas ao meu sentir, narrativas clamando a atenção da escritura e meu senso de experimentação pedindo: "deixe-me assumir a liderança do seu corpo, Sarah". "Mas é tempo de cautela", digo eu, e acrescento: "neste momento o campo intelectual precisa vigorar porque eu tenho um universo pensante a percorrer". Os livros que trazem reflexões antigas necessitam de um significativo espaço no comando da minha trajetória. Mas, sei que sou uma multidão de possibilidades emocionais e me ajudo a desenhar um futuro próximo, no qual não vai faltar amor, com fé em Deus, e os pássaros, que cantarolam alegrias, jamais terão preguiça de fazer uma visitinha.
17 de junho de 2012
Outros significados
Eu não desmonto malas, eu organizo vestígios de vida. Afinal, eu não simplesmente devolvo para os cabides os vestidos não usados e nem jogo mecanicamente as peças sujas dentro do baú. O retorno de uma viagem é para mim um remodelar no qual eu invisto todas as minhas forças para saber quem eu já fui, mas não sou mais; quem eu sou e posso deixar de ser e quem eu ainda serei, a partir das chegadas, das permanências e das partidas minhas e também do outro.
13 de junho de 2012
De lá e de cá
Dos sabores de lá:
Retorno de bicicleta para casa madrugada adentro depois da festa
Não-medo do homem que passa por mim na calçada no escuro da noite
Grande quantidade de pessoas com cabelo branco
Práticas "juvenis" decentemente estendidas até os que têm mais de 60 anos
Textura da bucha de lavar pratos
O puro azul do céu
O prolongado entardecer da primavera
Guardanapos estampados e bem felpudos
Largos espaços para os pedestres andarem nas ruas
Viagens em trens
Pão, queijo e vinho como o melhor trio a seduzir o paladar
Dos sabores de cá:
Ligação a partir de um telefone público com vista para o mar
Abraços com a participação real do corpo
Facilidade para uma situação isolada virar assunto dentro do ônibus
Sorrisos largos nas esquinas
A cor e o físico das gentes todas
Nuvens brancas que mais parecem flocos de algodão
Algumas escutas
A espera dos meus por mim
Banana frita
Retorno de bicicleta para casa madrugada adentro depois da festa
Não-medo do homem que passa por mim na calçada no escuro da noite
Grande quantidade de pessoas com cabelo branco
Práticas "juvenis" decentemente estendidas até os que têm mais de 60 anos
Textura da bucha de lavar pratos
O puro azul do céu
O prolongado entardecer da primavera
Guardanapos estampados e bem felpudos
Largos espaços para os pedestres andarem nas ruas
Viagens em trens
Pão, queijo e vinho como o melhor trio a seduzir o paladar
Dos sabores de cá:
Ligação a partir de um telefone público com vista para o mar
Abraços com a participação real do corpo
Facilidade para uma situação isolada virar assunto dentro do ônibus
Sorrisos largos nas esquinas
A cor e o físico das gentes todas
Nuvens brancas que mais parecem flocos de algodão
Algumas escutas
A espera dos meus por mim
Banana frita
15 de maio de 2012
É isto
Quer saber o que há dentro de uma modalidade esquisita de fim? ruptura feita de um modo que não deixa vestígio para ser revista, caixas empoeiradas, necessária dissolução das misturas que brotaram dentro de um galpão que guardou por um período duas casas, elevada praticidade feminina, sentimentos varridos e rapidamente modificados, estranhezas internas, desconhecimento de si e do outro, imediato distanciamento de um rico período de viagens noutro continente, mundos apartados, novos impulsos, outras vontades e esta música sem cessar na cabeça, dizendo: "pra frente é que se anda".
12 de maio de 2012
Quando eu cheguei
Havia uma faixa com frases carinhosas segurada pelos meus pais, minha tia Lúcia e meu amigo Buri, quando pus os pés no Aeroporto Internacional 2 de Julho, na última terça-feira, após pouco mais de um ano vivendo na Europa.
Pela calça verde que eu vestia e pelo movimento do meu andar, minha mãe, atrás da porta de vidro que separa os que desembarcam dos que os aguardam, me reconheceu e sabia que sua filha estava sã e salva após uma viagem de mais de dez horas de voo. Vixe... e como é bom ser reconhecida, através da cor da roupa e pelo jeitinho rebolante de caminhar!
Eu era um corpo tomado de sensações totalmente novas, pois estava ali conhecendo com muito mais profundidade os sentimentos que povoam uma mulher absurdamente dada a viagens, mas também vinculada aos seus. Minhas mãos, ocupadas com um carrinho coberto de malas, para as quais eu dispensei mais de dez dias de arrumação, num gingado que reuniu todas as emoções que podem florescer num coração-que-se-sabe-perseguidor-de-emoções-causadoras-de-verdadeiras transformações, rapidamente caminharam em direção aos abraços mais rodopiantes que eu recebi desde o dia 16 de abril de 2011.
Era um sábado do outono brasileiro quando eu deixei a agitada Salvador e atravessei o Oceano, para do outro lado descobrir a charmosa e delicada cidade francesa de Strasbourg. Lá eu desembarquei num domingo de primavera e tive desde então todo meu ser rendido ao novo que me endereçou para o percurso da descoberta insistente, e que é aquele tipo de percurso dotado do dom de nos arremessar num redemoinho incontornável de acréscimos de todas as ordens.
De volta à Bahia, joelhos dobrados na Igreja Senhor do Bonfim, onde minha amiga Nega me esperava com um caloroso abraço e as coloridas fitinhas me chamaram para uma foto. Rezei em agradecimento a tudo que vigorosamente vivi em terras europeias e veio a segunda parte do ritual de boas-vindas: cerveja geladinha e uma boa mariscada há alguns metros da Colina Sagrada.
Comi, ri, escutei, partilhei, olhando para o mar mais azul que meus olhos poderiam alcançar e ouvindo as músicas daquele que foi, segundo os que na mesa estavam, a grande sensação do carnaval 2012. Refiro-me ao cantor Magary Lord, cujas canções são mesmo um convite ao remelexo, mas eu não cheguei a dançar. Guardei meus passos para uma roda de samba que em breve eu sei que vai me puxar para dentro do seu miolinho.
Em seguida: BR 324 em direção à Feira de Santana, rumo à casa da minha família, onde na cozinha o espumante foi estourado com os tios, tias, primos e primas, um diversificado café foi servido e eu me reencontrei com os bolos de puba e de aipim, que minha mãe preparou especialmente para me receber.
Pela calça verde que eu vestia e pelo movimento do meu andar, minha mãe, atrás da porta de vidro que separa os que desembarcam dos que os aguardam, me reconheceu e sabia que sua filha estava sã e salva após uma viagem de mais de dez horas de voo. Vixe... e como é bom ser reconhecida, através da cor da roupa e pelo jeitinho rebolante de caminhar!
Eu era um corpo tomado de sensações totalmente novas, pois estava ali conhecendo com muito mais profundidade os sentimentos que povoam uma mulher absurdamente dada a viagens, mas também vinculada aos seus. Minhas mãos, ocupadas com um carrinho coberto de malas, para as quais eu dispensei mais de dez dias de arrumação, num gingado que reuniu todas as emoções que podem florescer num coração-que-se-sabe-perseguidor-de-emoções-causadoras-de-verdadeiras transformações, rapidamente caminharam em direção aos abraços mais rodopiantes que eu recebi desde o dia 16 de abril de 2011.
Era um sábado do outono brasileiro quando eu deixei a agitada Salvador e atravessei o Oceano, para do outro lado descobrir a charmosa e delicada cidade francesa de Strasbourg. Lá eu desembarquei num domingo de primavera e tive desde então todo meu ser rendido ao novo que me endereçou para o percurso da descoberta insistente, e que é aquele tipo de percurso dotado do dom de nos arremessar num redemoinho incontornável de acréscimos de todas as ordens.
De volta à Bahia, joelhos dobrados na Igreja Senhor do Bonfim, onde minha amiga Nega me esperava com um caloroso abraço e as coloridas fitinhas me chamaram para uma foto. Rezei em agradecimento a tudo que vigorosamente vivi em terras europeias e veio a segunda parte do ritual de boas-vindas: cerveja geladinha e uma boa mariscada há alguns metros da Colina Sagrada.
Comi, ri, escutei, partilhei, olhando para o mar mais azul que meus olhos poderiam alcançar e ouvindo as músicas daquele que foi, segundo os que na mesa estavam, a grande sensação do carnaval 2012. Refiro-me ao cantor Magary Lord, cujas canções são mesmo um convite ao remelexo, mas eu não cheguei a dançar. Guardei meus passos para uma roda de samba que em breve eu sei que vai me puxar para dentro do seu miolinho.
Em seguida: BR 324 em direção à Feira de Santana, rumo à casa da minha família, onde na cozinha o espumante foi estourado com os tios, tias, primos e primas, um diversificado café foi servido e eu me reencontrei com os bolos de puba e de aipim, que minha mãe preparou especialmente para me receber.
30 de abril de 2012
Nenhuma impessoalidade
Entrego-me aos rituais de despedida e vou ao
mercado do bairro onde aos sábados fazia compras. Neste um ano aqui, por duas
vezes, quando eu estava no caixa para pagar o que eu havia adquirido, me dei
conta de que eu havia deixado o cartão de crédito em casa. E nas duas vezes
contei com a confiança dos funcionários. Eles registravam tudinho, enquanto eu
vinha em casa, correndo, e apanhava a carteira. Voltando, eu pagava e agradecia
alegremente pela gentileza prestada. Aí fiquei conhecida como
a-madame-que-esquece-a-carteira. Virou até graça isso. Mas, hoje, não teve
muita graça quando eu comuniquei ao segurança Joseph que eu vou voltar para o
Brasil. Ele não acreditava no que eu dizia, apertava minha mão com saudosismo e
eu lhe explicava que minha bolsa de estudos acabou. Ele então me perguntou como
eu vou viver no Brasil; quis saber se eu já tenho emprego e eu lhe disse que
ainda não. Ele apanhou seu terço no bolso e, com fé, me disse: "não tenha
medo, Sarah, vai dar tudo certo e use sua capacidade intelectual". Eu
escutei, movimentando a cabeça num prolongado sinal de SIM e sai da minha última
compra no supermercado de sempre, bastante emocionada ao ver a relação que seus
funcionários e eu construímos. Como sou grata ao elo nada impessoal que a
França e eu desenvolvemos.
Banhada pela chuva.
O que eu colecionei? Quais coleções carregarei comigo? Na coleção de quem eu entrei? O que desta praça onde estou pela primeira vez vai restar em mim daqui a alguns anos? Classifico como sagrada a chuva que me banha antes da minha partida para o Brasil. Por isso, deixo-me por ela ser lavada.
Avisto um homem que anda devagar. Suas roupas são da mesma cor da casa onde ele agora transita. Uma lágrima cai do meu rosto e eu sorrio para este choro que sai de mim como gratidão a tudo de grandioso e belo e forte e único que minha vinda para a França me deu, a tudo de grandioso e belo e forte e único que minha vinda para a França me deu (repito em voz alta esta deliciosa frase).
Enquanto o homem que caminha tem roupas da cor da casa, eu estou vestida com a cor dos jardins. Olho mais distante tentando alcançar algo que meus olhos ainda não sabem e me dou conta de que estou deixando um país que vive a escolha do seu próximo presidente. Eu, eu vivo a saudade deste país.
Ontem foi meu último domingo na doce Strasbourg. Andei sem destino por ruas desconhecidas, fotografei casas, vi crianças brincando e homens se divertindo em torno da mesa de pingue-pongue do parque; fui abordada por uma senhora que queria informação sobre o bairro que não é o meu de morada. Escutei trovões, andei mais - e mais um pouco e mais um pouco e mais.
Avisto um homem que anda devagar. Suas roupas são da mesma cor da casa onde ele agora transita. Uma lágrima cai do meu rosto e eu sorrio para este choro que sai de mim como gratidão a tudo de grandioso e belo e forte e único que minha vinda para a França me deu, a tudo de grandioso e belo e forte e único que minha vinda para a França me deu (repito em voz alta esta deliciosa frase).
Enquanto o homem que caminha tem roupas da cor da casa, eu estou vestida com a cor dos jardins. Olho mais distante tentando alcançar algo que meus olhos ainda não sabem e me dou conta de que estou deixando um país que vive a escolha do seu próximo presidente. Eu, eu vivo a saudade deste país.
Ontem foi meu último domingo na doce Strasbourg. Andei sem destino por ruas desconhecidas, fotografei casas, vi crianças brincando e homens se divertindo em torno da mesa de pingue-pongue do parque; fui abordada por uma senhora que queria informação sobre o bairro que não é o meu de morada. Escutei trovões, andei mais - e mais um pouco e mais um pouco e mais.
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