Para
minar o poder alemão, os resistentes recorreram à imprensa clandestina,
sabotagens, espionagens, redes de informação, paraquedismo, greves de setores
estratégicos, lançamento de bombas, cortes de cabos telefônicos e à formação de
maquis, grupos camuflados que se
posicionavam em pontos estratégicos para desestabilizar as ações da Wehrmacht,
conjunto das forças armadas da Alemanha.
“Inicialmente o
movimento foi muito pulverizado, com muitas iniciativas isoladas. A Resistência
no começo era somente escrever palavras anti-Pétain nos muros e espalhar frases
como ‘Viva De Gaulle’. Meu pai, por exemplo, em 1941, recolhia armas e
explosivos, mas eles não sabiam o que iam fazer com aquilo”, explica Georges Duffau-Epstein,
filho de Joseph Epstein, fuzilado em abril de 1944, no Mont-Valérien, onde
houve aproximadamente 1000 fuzilamentos e onde, hoje, existe um monumento consagrado
à memória nacional.
Acervo Musée de la Résistance Nationale
Fotos: Luciano Fogaça
Fotos: Luciano Fogaça
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Réplica de artifício para detonar trilho de trem |
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Equipamento de rádio usado para criar uma rede de comunicação entre os resistentes |
Joseph Epstein foi um intelectual
polonês, combatente antifascista na Guerra Civil Espanhola e que liderou o
grupo FTP-MOI – Franc-tireurs et partisans
- Main d’oeuvre immigrée (Franco-atiradores e Partidários - Mão de Obra Imigrante),
segmento da Resistência que reuniu estrangeiros.
Esse grupo ficou
particularmente conhecido pela virulência das suas ações, entre as quais
inúmeras explosões e atentados contra tropas alemãs em plena luz do dia, e
também por ter tido 23 dos seus integrantes condenados à morte sem recurso de
apelação, dos quais 22 foram mortos no Mont-Valérien, por meio de um ato comum
de fuzilamento, e a única mulher entre eles decapitada em maio de 1944.
As fotos dos 23
resistentes foram usadas pela propaganda alemã num cartaz que passou a ser
chamado "Affiche Rouge" e foi disseminado com o intuito de desacreditar as ações da Resistência, episódio
que junto com algumas outras lembranças povoa a memória do polonês André
Schmer, ex-integrante do FTP-MOI, que com convicção narra o que se propôs a
fazer em prol da sociedade francesa:
“Sempre tive em mente
que a França é o país da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade e não podia
ser dominado por uma força autoritária. Eu ainda era muito jovem e sabia disso.
Então, comecei a distribuir panfletos antinazistas nas ruas. Lembro-me de ter
subido no alto de um prédio e improvisado um dispositivo que os espalhava por
todos os lados porque era necessário que as ideias libertárias chegassem a
todos”, diz o ex-combatente e militante do Partido Comunista, hoje com 86 anos.
Foto de arquivo
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Affiche rouge (Cartaz vermelho) |
Algumas
ações e a importância fundamental de afetar as ferrovias
Entre os grandes feitos
da Resistência, estão a greve dos mineradores do Nord-Pas-de-Calais, região
rica em carbono, bastante cobiçada, portanto, pelos alemães, e os ataques que aconteceram
na parte do sul do país, ambos em 1941. Neste mesmo período uma manifestação
formada apenas por mulheres foi organizada na periferia de Paris para exigir a
liberação de prisioneiros de guerra.
Desde 1940 um conjunto
de ações já vinha demonstrando o descontentamento de parte da população
francesa com a invasão alemã. Em julho deste ano, estudantes dos liceus
parisienses paralisaram as aulas para mostrar o desacordo em relação à política
educacional que passou a ser adotada pelo governo de Vichy e pela Ocupação. No
dia 11 de novembro, uma grande mobilização jovem aconteceu na Place de l’Étoile
e foi alvo de uma severa repressão.
Contudo, a unificação
das forças armadas da Resistência só veio a acontecer em 1942. Da junção de
vários grupos armados resultou a Força Armada Secreta da MUR, que com o apoio
dos organismos britânicos, Special
Operations Executive (SOE) e Intelligence
Service (IS), e mais tarde com a contribuição das forças americanas,
conseguiu dar importantes passos, como a desconexão dos trilhos entre algumas cidades,
atrapalhando assim os planos dos alemães.
Interromper rotas, confundir informações e gerar um caos no transporte público foram ações
empreendidas pelos cheminots
(ferroviários em francês), peça-chave no progresso da Resistência. A ligação
férrea, numa extensão de aproximadamente 200 quilômetros, que conectava cidades
como Brive e Toulouse, no sudeste francês, por exemplo, foi uma das que foi
completamente cortada, e entre junho e agosto de 1944 este trajeto não pôde ser
cumprido. Atos como este afetavam os mais diferentes propósitos alemães, entre
os quais o uso de trens para a deportação de pessoas.
Acervo Musée de la Résistance Nationale
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Panfleto indicando sabotagens feitas pelos ferroviários |
Solidariedade
A Resistência contou
com a atitude corajosa de muitos funcionários do estado francês, como os
controladores da “Linha de Demarcação”, que deixavam as pessoas, proibidas de irem
de uma parte a outra do país, transitarem entre a zona norte e a zona sul.
Houve também o apoio cedido por muitas famílias que abrigavam resistentes em
suas casas, ou cediam espaço para a realização de reuniões e instalação de instrumentos
de decodificação de informações, como equipamentos radiofônicos.
Por parte da sociedade
civil muitas táticas foram usadas para comunicar a discordância com as ordens
alemãs, como, por exemplo, ondas de assobios coletivos atrapalhando a
veiculação dos cinejornais pró-alemães, destruição sistemática dos cartazes assinados
pela Ocupação ou pelo Estado francês e uma presença em massa nos funerais dos
resistentes ou aviadores aliados.
Em novembro de 1942 a Resistência
envolvia 30 mil pessoas, e em 1944 chegou a reunir 450 mil combatentes; mas considerando
os leitores da imprensa clandestina, alcança-se o número de 2 milhões de
simpatizantes à causa, conforme afirmam alguns estudiosos.
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