16 de fevereiro de 2010

Indo além na captação

Estou certa de que tudo corre para ficar na pele. O olhar engole todas cenas que me aparecem no trajeto, e eu insisto em me dar conta do que me surge, mas aos poucos os dedos vão ficando pequenos para apanhar os ininterruptos acontecimentos. Ao mesmo tempo, a curiosidade vai se deparando com os freios postos pela própria imensidão que é registrar, na memória, o que se passa numa viagem que, em dois meses, se propõe a conhecer nove países. Quanto fôlego!

Haja assuntos, caminhos, imagens, pessoas, idéias, vegetações, seres, sabores, cheiros, proporções, estranhezas, novidades; um mundão de realidades escorrendo sem parar sobre minha percepção. Em Lima, por exemplo, foi engraçado: eu apontei meu sentimento para perceber a cidade, mas talvez a capital peruana não tenha querido se mostrar para mim. Respeitei isso, e como é necessário respeitar uma cidade! Então, sai de lá sabendo muito pouco sobre ela, e, conversando com outras pessoas, por exemplo, soube que, ao contrário do que eu havia dito, em Lima, há uma linha de metrô construída, mas praticamente sem funcionamento.

E assim me pareceu a cidade: um lugar com um funcionamento estranho. Ôps, mas ainda que eu tenha tido uma relação distante com a cidade, quero registrar mais alguns movimentos meus em seus arredores: visitei o Pucllana - Museo de Sitio Parque Histórico Cultural, um parque que guarda os vestígios de uma pirâmide em plena urbanidade limense. É um parque muito artificial, mas, de repente, me vi ali pensando sobre arqueologia, e considero que esta ciência é uma boa companhia para saber mais sobre o lugar onde a civilização Inka escreveu parte de sua história.

Outra ocorrência que eu não gostaria de deixar escapar é que em minha última noite, em Lima, vi o carro de lixo com seus homens recolhendo os dejetos da cidade. Vendo aquela cena e sentindo o aroma de lixo que se espalhava pelas entranhas da noite, me senti acessando uma certa intimidade local. E juntando arqueologia e coleta de lixo, me vi tendo uma proximidade particular com Lima. Gostei de perceber que há de desabrochar diferentes formas de contato com uma cidade.

Um comentário:

  1. Dessa vez fiquei sem fôlego! Mas, li tudinho...
    E aguardo mais.
    Bjs

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